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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Como funciona a Arte!!!



Como funciona a Arte

por Julie Dawson - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Introdução

A arte faz parte de nosso cotidiano e freqüentemente ouvimos a respeito dela nos jornais e noticiários. Mas o que é exatamente arte? A definição de arte é fruto de um processo sócio-cultural que varia bastante ao longo do tempo.


Neste artigo, vamos tentar encontrar uma definição e entender um pouco a arte.


A definição

Merriam-Webster's Collegiate Dictionary define arte da seguinte forma:


"arte n - o uso consciente da habilidade e imaginação criativa, especialmente, na produção de objetos estéticos, também: trabalhos assim produzidos b (1): belas artes (2): uma das belas artes (3): uma arte gráfica"


Novo dicionário da língua portuguesa. de Aurélio Buarque de Holanda:


"arte s.f. - atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético carregados de vivência pessoal e profunda (...) A capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações e sentimentos."


Literalmente, arte significa esforço ou tentativa, por essa razão está associada a palavras como engenhoso, artístico, etc. A maioria das definições de arte nos dicionários envolve palavras como produção, expressão, organização e esforço. Isso significa que existe uma diferença entre uma pedra na qual sentamos por acaso e uma que trouxemos da floresta e colocamos em no jardim com outras quatro, para fazer um círculo de assentos. A última é um tipo de arte porque escolhemos materiais e os colocamos de forma a não serem apenas úteis, mas também para nos satisfazer de alguma forma. Portanto, arte tem a ver com a intenção do artista e também com ele próprio.


Uma grande parte da arte é intenção. No San Francisco Museum of Modern Art (Museu de Arte Moderna de São Francisco) uma vez havia uma mostra de animais empalhados cobertos por lama. Muitas crianças acabam fazendo animais empalhados cobertos por lama nos quintais de suas casas o tempo todo. A diferença entre brinquedos de barro em um museu de São Francisco e animais empalhados sujos em seu quintal se reduz à intenção e ao esforço. O criador da exposição em São Francisco tinha a intenção de expressar seu trabalho artisticamente. Por outro lado, os brinquedos no quintal são normalmente apenas produto de uma brincadeira.


Um elemento prático de arte é o reconhecimento público. É aí que nos deparamos com um dos acontecimentos da vida artística: nem sempre o público aprecia um trabalho.


terça-feira, 9 de junho de 2009

Festejando com Arte



Festejando com arte


Objetivo:

Valorizar as diferentes manifestações artísticas como meio de acesso e compreensão das diversas culturas.


Introdução

"O ato de dançar e cantar está associado a alegria, festa, ritual, homenagem, comemoração, agradecimento. Dançando e cantando, o ser humano expressa suas emoções e ansiedades.As festas com músicas e danças nos elevam e emocionam desde a Antigüidade. […]


Com o passar do tempo, os rituais antigos foram sendo transmitidos de geração parageração, de país para outro. E foi assim que as festas populares africanas e européias chegaram ao Brasil e se misturaram aos costumes indígenas. De tão populares, tornaram-se tradicionais e começaram a fazer parte do nosso folclore."
(Festas e tradições. São Paulo: Moderna, 2001)


Festejar é bom e todo mundo gosta, mas a forma como são desenvolvidos os festejos nem sempre contribui para a formação de alunos conhecedores de arte.


Para tal, faz-se necessário que as festas sejam preparadas de forma a considerar a construção desse conhecimento, por meio de atividades que tragam para a sala de aula questões sobre arte.


Além de recortar, colar e pintar, o professor poderá explorar idéias, experimentar materiais, atribuir significados a cada cor, gesto, som e movimento trabalhados na preparação dessas festas.


Descrição da atividade


O que proponho nesta atividade (apresentada em duas partes) é que você e seus alunos interajam com obras de arte, apreciando, conhecendo e principalmente exercitando o seu pensamento e fazer artístico.


1ª parte da atividade

Divida a turma em grupos de 4 alunos.Inicialmente, proponha-lhes que realizem um levantamento a partir das seguintes questões:


- Quais festas populares e religiosas vocês conhecem?

- Vocês sabem o significado de cada uma dessas comemorações?Cada grupo deverá registrar por escrito suas respostas em painéis (com letras bem legíveis) afixados no mural da sala de aula.


Juntos, observem os painéis para verificar quais são as festas mais citadas.Registrem essa informação.


2ª parte da atividade


Prosseguindo a atividade… o professor e seus alunos, pesquisarão obras de pintores conhecidos que tenham como tema as festas mais citadas na etapa acima.

Os alunos deverão observar atentamente as obras apresentadas e refletir sobre as questões abaixo sugeridas:

- O que as imagens sugerem ou lhe fazem lembrar?

- Quais objetos que trazem essa lembrança?

- Quais objetos se repetem nas obras?- O que está em destaque no primeiro plano, no centro, no fundo e no céu (se houver)?

- O tema das obras faz com que você se lembre de alguma música? Qual?

- As cores nessas obras são importantes?

- Onde elas se repetem?

- Qual delas você mais gostou? Por quê?


Registrem todas as respostas, tanto das questões acima quanto das de outras sugeridas por você, professor, e/ou seus alunos.


Sugestão


Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Picasso e Cèzanne foram alguns dos artistas que utilizaram esse tema para criar suas obras.

Habilidades/atitudes trabalhadas:

- atenção ao direito de liberdade de expressão e preservação da própria cultura;

- observação das características presentes em objetos de estudo e identificação das informações contidas nesses objetos;

- descrição dos elementos expressivos da linguagem visual (planos, cores, assunto);

- posicionamentos pessoais em relação a artistas, obras e meios de divulgação das artes.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O que é Sumiê ?


O que é Sumiê?


O pincel, erguido perpendicularmente ao papel de arroz, o washi, quase forma um ângulo de 90 graus com a mão do artista, que desliza pinceladas precisas e definitivas. A concentração é extrema. Os dedos permanecem quase imóveis, enquanto o braço se movimenta sem se apoiar na mesa de trabalho.


Visto dessa forma, o suiboku-ga, a milenar pintura japonesa conhecida como sumiê, mais parece um sacrifício para as articulações e os tendões humanos. Para os pintores treinados na tradição oriental, porém, esse é um caminho natural e espontâneo, que resulta numa das mais belas formas de arte do arquipélago.


A palavra sumiê significa “pintura a tinta” em português, e consiste numa técnica de pintura em preto-e-branco originada em mosteiros budistas da China durante a dinastia Sung (960-1274). Levada pelos monges zen ao Japão a partir do século XIV, o sumiê tinha essencialmente temáticas religiosas que representavam elementos budistas, como o círculo, que indica o vazio interior, ou da natureza, como as rochas e a água.Para o artista, o mais importante é retratar a essência do elemento a ser pintado, e não a mera reprodução de sua aparência exterior.


Adotando esses princípios, o sumiê exerce uma dicotomia interessante. Preto-e-branco, concreto e abstrato, água e terra, controle e espontaneidade são manifestações presentes nessa arte, que, a partir do século XV, passou a retratar também pássaros, flores e paisagens.


Alguns dos artistas mais importantes do sumiê são datados desse período, destacando-se Sesshu, o primeiro a criar uma linguagem peculiarmente japonesa para o estilo.

Sumiê



Sumiê


Bloco de Conteúdo

Arte


Conteúdo



OBJETIVOS

■ Pesquisar a arte chinesa.

■ Explorar materiais e técnicas artísticas.

■ Pintar com a técnica do sumiê.

■ Apreciar a própria obra e a dos colegas.


CONTEÚDOS

■ Arte chinesa.

■ Pintura chinesa (sumiê).


ANOS

2º ao 5º.


TEMPO ESTIMADO

Dois meses.


MATERIAL NECESSÁRIO


Reportagens sobre cultura e arte chinesas, uma lenda chinesa (sugestão: Os Dez Sóis Que Se Apaixonaram pelas Doze Luas), papel canson, aquarela sólida, pincéis redondos de diferentes tamanhos, cartolina, tesoura, giz de cera, adesivo de dupla face, caneta esferográfica grossa e papel cartão, máquina fotográfica e filmadora.


DESENVOLVIMENTO


■ 1ª ETAPA Organize uma roda para apresentar o projeto e os conteúdos que serão trabalhados. Em seguida, peça que cada criança imagine um lugar na China e o desenhe em folha branca, com lápis de cor. Pendure as obras e discuta os resultados. Qual o motivo da escolha daquela paisagem? E das cores? Que sentimentos as pinturas transmitem? Avalie os conhecimentos que a turma já tem sobre a cultura ou a estética do país. Como lição de casa, solicite uma pesquisa sobre artes plásticas, moda, arquitetura e cinema chineses. Selecione o material levado pelos alunos e organize-os em grupos de quatro. Distribua cartolina, cola, tesoura, caneta hidrocor, lápis de cor e giz de cera e oriente-os a fazer um cartaz com texto e imagens sobre uma das áreas pesquisadas. Reserve uma aula para as apresentações. Sistematize as novas informações, chamando a atenção para os aspectos típicos da arte chinesa, como os traços que guiam as formas e as pinceladas soltas. Leve outros materiais para consulta.


■ 2ª ETAPA É hora da primeira apreciação. Apresente informações sobre artistas clássicos, como o pintor Shi Tao (1630-1724), e contemporâneos, como Chen Kong Fang, Wu Guanzhong, Chan Chi Vai, Chan Ka Son, Chau Van, Che Ho e Massao Okinaka (1913-2000), que introduziu o sumiê no Brasil. Fale sobre as características da técnica e selecione obras de pelo menos dois pintores. Incentive a comparação entre elas, fazendo perguntas relativas a cores, formas e linhas. Há diferença entre o sumiê antigo e o contemporâneo? E entre a arte chinesa e a ocidental?


■ 3ª ETAPA Leia para a turma o conto Os Dez Sóis Que Se Apaixonaram pelas Doze Luas. No meio da história, as escritas chinesas se tornam enigmas. Convide os alunos a decifrá-las e peça que escolham passagens para representar com pinturas. Distribua papel canson, aquarela e pincel redondo. Cada estudante deve fazer cinco produções, usando o pincel com força ou leveza, deitado ou em pé, com tinta diluída ou espessa, e posicionar a mão de diversas maneiras para fazer manchas, linhas e pontos. Deixe os trabalhos deitados até que sequem.


■ 4ª ETAPA Pendure tudo em um varal para um segundo momento de apreciação. Pergunte sobre as semelhanças e diferenças entre o sumiê visto nas aulas anteriores e o que produziram.


PRODUTO FINAL

■ Exposição de arte. Separe registros de todas as etapas do projeto e monte um painel com as observações que você fez durante o processo. Na exposição, todos devem se revezar para receber os visitantes e dar as explicações necessárias.


AVALIAÇÃO

No fim de cada aula, anote hipóteses, percepções e interpretações dos estudantes. Na última aula, em roda de conversa, peça que relatem o que mais gostaram e as justificativas das escolhas feitas nas diversas etapas.

Fique por dentro !!!

I Seminário Estadual da Associação dos Arte Educadores do Estado do Amapá

De 04/06/2009 a 05/06/2009
Macapá, AP
A primeira edição do seminário terá como temática "Questões de arte e experiência docente" onde serão analisadas várias abordagens conceituais da arte evidenciadas na prática docente em uma realidade local, do Estado do Amapá.
O evento busca investigar, por meio de palestras, relatos, oficinas, o que vem sendo trabalhado nos espaços educativos em arte e o que se pretende como "ideal" de qualidade desse processo.

As inscrições são limitadas (200 VAGAS) e podem ser feitas por telefone.
Local: UNIFAP
Endereço: campus marco zero - Rod. JK - Macapá
Telefone: 9127-4111 / 3137-3247 / 8112-5854
E-mail: aaeap@hotmail.comAcesse aqui o programa

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Cenário e Roteiro


Cenário e roteiro

Bloco de Conteúdo
Arte

Conteúdo
Objetivos
Aproximar as crianças do teatro por meio da criação de cenários. Mostrar que no teatro os objetos podem ter diversas funções. Possibilitar a improvisação de uma história com base num cenário. Fazer o aluno compartilhar suas criações com os outros. Conteúdos Expressão corporal e oral. Apreciação teatral.

Anos
1º e 2º.

Tempo estimado
Oito aulas.

Material necessário
Jornais, revistas, muitos tipos de papel, barbante, pequenos móveis, espelhos, tecidos coloridos, lençóis, cobertores, guarda-chuvas etc.

Desenvolvimento

1ª ETAPA
Apresente à turma diferentes materiais para a construção de cenários. Explique que eles podem transformá-los livremente, inventando novas funções para cada um. Uma mesa com um pano por cima, por exemplo, pode virar uma caverna. A idéia é fazê-los visualizar as possibilidades que os objetos adquirem em cena.
2ª ETAPA
O momento, agora, é de direcionar um pouco mais a criação. Divida a turma em grupos. Peça que cada um deles monte, com os materiais disponíveis, uma casa, um rio, um barco, uma floresta e um túnel. Ao final, proponha que os alunos registrem com desenhos os ambientes criados.

3ª ETAPA
Peça que cada grupo escolha os objetos cênicos que gostaria de manter. Baseando-se neles, oriente a classe a criar personagens que possam surgir desse espaço: animais, humanos ou seres fantásticos. Debata as sugestões com o grupo com o objetivo de imaginar de que forma os personagens interagem com o cenário. Ao fim da atividade, proponha um registro por escrito das características dos personagens.

4ª ETAPA
Use o registro dos personagens como ponto de partida para a turma construir um roteiro simples. Em cada grupo, conduza a criação de uma história com acontecimentos criados pelas crianças, solicitando que a anotem por escrito. Sempre que possível, chame a atenção para a possibilidade de inserir os elementos do espaço cênico.
Avaliação
Apoiado nos registros dos alunos e na participação de cada um nas atividades, verifique como cada grupo resolveu os desafios propostos. Além de atentar para a compreensão dos elementos teatrais (cenário, personagens, roteiro etc.), avalie se durante todas as etapas do processo de criação houve respeito às sugestões e às críticas dos colegas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ateliê na sala de aula


Ateliê na sala de aula

Bloco de Conteúdo

Arte


Conteúdo



Objetivo

Criar um ambiente adequado para o trabalho de arte visual. Anos 1º ao 3º.


Tempo estimado

O ano todo.


Material necessário

Tintas, papéis, pincéis, sucatas, um carrinho e caixas


Desenvolvimento

1ª etapa

Comece pensando nas possibilidades de reorganização do espaço para a aula de Arte, considerando o uso de carteiras e paredes. Explore também outras áreas, lembrando que é possível desenhar na areia, pintar sobre ladrilhos, riscar o cimento com giz e compor desenhos no chão com as folhas caídas de uma árvore.


2ª etapa

Utilize um carrinho para transportar tudo de uma sala para outra. Pode ser um carrinho de supermercado adaptado ou, ainda, uma caixa com rodinhas.


3ª etapa

Para evitar que a aula deixe "rastros", tenha à mão panos e jornais. Combine, ainda, que todos usem uma camiseta velha ou um avental na aula.


4ª etapa

Ajude os alunos a se familiarizar com o ateliê, ordenando os materiais por tipo (lápis e canetinhas de um lado, papéis de outro). Para incentivá-los a compartilhar, forneça copos descartáveis para dividir a tinta.


5ª etapa

Providencie um espaço para a apreciação montando uma grande bancada com mesas ou um varal para expor trabalhos.


6ª etapa

Pergunte o que é preciso fazer para que tudo fique arrumado e limpo no fim: lavar pincéis, jogar jornais sujos fora, guardar a tinta que sobrou, reorganizar carteiras, pendurar trabalhos prontos etc. Organize grupos e responsabilize cada um pela realização de uma dessas tarefas.


Avaliação

Avalie como os alunos lidam com a nova organização da sala e os materiais, verificando se devolvem tudo ao lugar e limpam os instrumentos adequadamente. Se nem todos tiverem finalizado suas produções, guarde-as para que possam continuá-las na próxima aula de ateliê.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Construção do Imaginário



Construção do imaginário

Objetivo
Perceber a arte como forma de expressão de valores.

Comentário
As imagens também constroem a história de um povo e carregam consigo valores de uma época e/ou de um grupo social.

Material
O texto Debret e a construção do imaginário histórico brasileiro, artigos de jornais ou um conto ou crônica literária.

Estratégias
1) Leitura e interpretação do texto.

2) Leitura das imagens que estão nos textos e de outras que o professor tenha.

3) Leitura de um texto que o professor escolher: crônica ou conto. É importante que seja o mesmo conto para todos os alunos.

Atividades

1) Individualmente, os alunos devem produzir uma imagem (desenho, fotografia, escultura ou instalação) que sintetize sua interpretação do texto lido para a turma.

2) Comparar essas interpretações e discutir com a sala os aspectos comuns entre as produções dos alunos, bem como os elementos que chamaram, mais ou menos, a atenção.

SugestõesExperimente fazer o inverso também. A partir de uma imagem não muito conhecida, pode ser do próprio Debret, fazer com que os alunos escrevam a história que se passa na cena ou a história da pessoa (caso seja um retrato), sem que o professor dê qualquer informação. Ao comparar os textos, os alunos perceberão como, em suas interpretações, estão arraigados valores pessoais e coletivos.
Debret e a construção do imaginário histórico brasileiro


Com a vinda da família real, em 1808, o Brasil passou de colônia a Reino Unido de Portugal. Depois, com a independência, em 1822, tornou-se, pelo período de 67 anos (até a proclamação da República, em 1889), um império independente.Durante trezentos anos, nosso país foi essencialmente agrário e explorador de ouro, atividade que já começava a declinar no início do século 19. Um princípio de modernização, contudo, teve início com a chegada da corte portuguesa. A capital, Rio de Janeiro, passou a ser transformada segundo padrões parisienses. Seguindo esse objetivo, dom João 6º convidou vários artistas, a conhecida Missão Artística Francesa, para que se estabelecessem no Brasil, com o objetivo de impulsionar o ensino da arte e a produção artística do nosso país, numa época ainda marcada pelo barroco. Esses artistas tinham como modelo o neoclassicismo. Dentre esses artistas, destacamos neste texto Jean Baptiste Debret, figura fundamental, responsável por registrar parcela significativa das mudanças sociais daquela época, retratando os membros da monarquia, o povo, os costumes e vário aspectos da cultura. Os artistas da Missão Artística Francesa ajudaram a construir todo um imaginário sobre aquela época. Mas o que isso quer dizer?

O que é imaginário?

Quando falamos de "imaginário", estamos nos referindo à reunião de elementos característicos da vida, da cultura de um grupo de pessoas, de um povo ou de uma nação. Por exemplo, pense nas gírias que você fala: de onde elas surgiram? Pense nas músicas que você ouve e nos filmes que você vê, ou, ainda, como era a roupa do Super-Homem nos quadrinhos da década de 1950 e como ela é hoje. Existe uma cultura típica do nosso tempo, da mesma forma que nos comportamos de uma maneira completamente diferente da de nossos avós, por exemplo.Ninguém, atualmente, diz que uma pessoa bonita é um "broto", gíria típica dos nossos avós, e a roupa do Super-Homem é completamente diferente daquela usada pelo personagem de histórias em quadrinhos quando as primeiras revistas começaram a aparecer. Da mesma forma, uma mulher usar calças na corte de dom João 6º seria um comportamento imoral, inaceitável.Ou seja, há costumes próprios de cada tempo, de cada época. E os artistas de um determinado período da história contribuem para o imaginário que construímos sobre essa época. Assim, as leituras e as interpretações que fazemos das imagens, das pinturas e das esculturas do passado estão marcadas pelas escolhas e pelos estilos desses artistas, mas também pelos nossos valores, pelas nossas crenças atuais, que formamos ao longo da nossa vida.

Jean Baptiste Debret

Debret documentou os acontecimentos da história brasileira no início do século 19. Ele e os membros da corte tinham consciência da importância da circulação de gravuras tratando de diferentes aspectos da vida no Brasil. Ou seja, eles se preocupavam com a divulgação da imagem do Brasil no exterior, principalmente pelo fato de o Brasil não ser mais apenas uma colônia, mas Reino Unido de Portugal. Debret seria importante mesmo depois da Independência. Ele soube se transformar no pintor comemorativo oficial do império. Observe, por exemplo, no texto
Influências na arte brasileira no século 19, o detalhe da obra "Coroação de D. Pedro 1º". Desde a morte de dom Sebastião, em 1578, nenhum rei português era retratado com a coroa colocada na cabeça, mas segurando-a ao lado do tronco, como se apenas o próprio dom Sebastião a merecesse, quando retornasse (dom Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, mas seu corpo jamais foi encontrado, o que deu início a um movimento chamado "sebastianismo", cujos seguidores acreditavam na volta messiânica de dom Sebastião).Na pintura de que falamos acima, contudo, dom Pedro usa a coroa. Como você acha que isso foi percebido na época? Com certeza, serviu para enaltecer a figura do novo imperador e colaborou para a criação da imagem de dom Pedro como um herói.Mas Debret não gravou apenas momentos que ele considerava importantes para a história ou cenas da vida da família real. Ele também documentou o cotidiano de pessoas comuns, sempre com um olhar neoclássico e, segundo alguns autores, já adotando a estética do romantismo.Para entendermos a influência de Debret sobre o nosso imaginário, vamos observar e comparar a imagem do índio e a do negro do inicio do texto.
Como o índio está representado? E os negros?
A representação do índio é totalmente idealizada. Para Debret e outros pintores neoclássicos, os índios são sempre fortes, com traços bem definidos, e estão sempre em cenas heróicas. Quanto aos escravos, ainda que sendo punidos, as cores da pintura minimizam o drama do castigo, e a senzala, local onde provavelmente estão, encontra-se inclusive limpa, iluminada.Será que vem daí o fato de esquecermos, muitas vezes, que houve escravidão indígena no Brasil? Ou, ainda, viriam dessas imagens a idéia de que os índios eram fortes e não se deixavam escravizar? Embora a escravidão africana tenha sido muito maior, em termos de número de escravos, os índios também foram escravizados, principalmente no período do bandeirismo. Com relação aos negros, dificilmente vemos a representação de negros revoltosos e descontentes com sua situação de cativos. Normalmente, eles estão trabalhando - e, quando castigados, têm um olhar resignado. Será que vem daí a idéia de uma "democracia racial" no Brasil?Diversos fatores contribuem para a construção do imaginário sobre determinada época, mas, certamente, a comunicação visual - por meio de pinturas e gravuras, ou da fotografia, da tevê e do cinema - tem uma força muito grande.







segunda-feira, 11 de maio de 2009

Curso de Especialização em Arte- Educação




LINGUAGENS DA ARTE


Curso de especialização em arte-educação


coordenação: Marcos Garcia Neiravice-coordenação: Sônia Maria Vanzela Castellar

objetivos

A proposta do curso é formar educadores nas linguagens diversas da arte: Arte Visuais, Dança, Música e Teatro, visando a atualização nos paradigmas contemporâneos da arte e da educação, para orientar suas práticas e reflexões, tanto nos espaços de educação escolar, como nos de instituições culturais e ONGs que trabalham nessa perspectiva.

Atualmente, Arte é disciplina obrigatória na escola e, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, é desejável que se forme o aluno, ao longo de sua escolaridade, nesses quatro domínios (Artes Visuais, Dança, Música e Teatro).

Assim, o curso tem como orientação geral a abordagem da arte como objeto social e histórico, o domínio de orientações didáticas da área e conhecimento sobre as relações entre aprendizagem e desenvolvimento nas linguagens artísticas, saberes indispensáveis ao educador para sua atuação profissional em Arte.


docentes

USPÂngela Maria Rocha (FAU·USP) História da Arte A experiência do artistaCláudio Mubarac (ECA·USP) Uma visão do desenhoIngrid Dormien Koudela (ECA·USP) TeatroLuciano Migliaccio (FAU·USP) As linguagens das artes figurativasMarcos Garcia Neira (FE·USP) O corpo do corpo docentePedro Paulo Salles (ECA·USP) Música e sentido: as bases vivas da educação musicalRosa Iavelberg (FE·USP) Fundamentos do ensino da arte Coordenação da orientação da monografiaSonia Maria Vanzela Castellar (FE·USP) Ação Interdisciplinar no espaço público
especialistas externosDenise Grinspum Apreciação de obras de arte: referências para mediações educativasDirce Helena Carvalho Práticas teatrais no ensino de arte-educaçãoElisabeth Bueno de Camargo Educação musical significativa: o aprendizado pela manipulação e utilização da linguagem musical na simulação de um contexto realInês Bogea DançaJoão Bandeira Poesia e VisualidadeLaura Vinci Seis encontros com arte contemporâneaMaria de Fátima Junqueira Pereira Artes visuaisUxa Xavier Criação em dança contemporânea


início1 de agosto de 2009 [360 horas-aula + 40 horas de atividades programadas, total de 400 horas-aula]

término: 11 de dezembro de 2010
horário sábados 9h às 17h
local Centro Universitário Maria Antonia · USPRua Maria Antonia, 294Vila Buarque, São Paulo, SP, 01222-010
informações11 3255-7182 – ramal 46 – educama@usp.br
público alvoprofessores da rede pública ou privada e educadores de museus, instituições culturais e ONGs


pré-requisitos- possuir graduação completa em qualquer área- aprovação na prova de seleção que será aplicada a todos os inscritos


inscrições

4 de maio a 25 de junho de 2009no local – 3° andar – setor educativosegunda a sexta das 10h às 18h


procedimentos para inscrição

os interessados deverão encaminhar até dia 25 de junho:- ficha de inscrição preenchida;-->- curriculum vitæ resumido;- comprovante de depósito (no valor de R$ 40,00 referente à prova de seleção) devidamente identificado com o nome do depositante.


prova de seleção

28 de junho de 2009 (domingo), das 10h30 às 13h30no localObs: no dia da prova o candidato deverá apresentar documento de identidade e a inscrição deverá ter sido efetivada.
depósito bancário para prova de seleçãoAssociação de Amigos do Centro Universitário Maria Antoniadepósito identificado no valor de R$40,00

SantanderAgência: 0658

Conta Corrente: 13.006648-3CNPJ: 04.210.836/0001-71
valor integral- 15 parcelas de R$ 440,00 (R$ 6.600,00)descontos- 20% para professores 15 parcelas de R$ 352,00 (R$ 5.280,00)- 40% para aposentados e pessoas da 3ª idade 15 parcelas de R$ 264,00 (R$ 3.960,00)

bolsasatribuídas por ordem de classificação na prova de seleção:- uma para discente USP com graduação completa;- uma para docente USP; - uma para funcionário USP; - uma para 3ª idade ou aposentado;- duas para a comunidade.
referências bibliográficas para prova de seleção

ARSLAN, Luciana Mourão e IAVELBERG, Rosa. Ensino de Arte. São Paulo : Thomson Learning, 2006.

BARBOSA, Ana Mae. Arte Educação Contemporânea – consonâncias internacionais. São Paulo : Cortez, 2006.

Parâmetros curriculares nacionais: arte (1º e 2º ciclos) / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.Parâmetros curriculares nacionais: arte (3º e 4º ciclos) / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1998.

FERRAZ, Maria Heloísa C. T.; FUSARI, Maria F. R. Arte na educação escolar. São Paulo : Cortez, 1992.

HERNÁNDEZ, F. e VENTURA, M. A Organização do Currículo por Projetos de Trabalho - O Conhecimento é um Caleidoscópio. Porto Alegre : ARTMED, 1998.

IAVELBERG, R. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. Porto Alegre : ARTMED, 2003.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Avaliar em Arte


O que avaliar em Arte? Como avaliar em Arte? O que é importante saber em Arte?


Para debater sobre estas questões, o Instituto Arte na
Escola entrevistou a professora Suzana Ortiz acerca
de seu trabalho de mestrado "Teorizações dos
Docentes sobre a Avaliação em Artes Plásticas" e
convidou a professora Elizabeth Aguiar, mestre em
Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, doutora em Artes pela Universidade de São Paulo
e professora Titular da Universidade do Extremo Sul
Catarinense, para comentar os resultados de sua
pesquisa.
Mestre em Psicologia Educacional da Universidade de
Buenos Aires e professora de Artes Visuais do Colégio
de Aplicação da UFRJ, Suzana publicou sua pesquisa
no final de 2004, que teve como objetivo central
compreender o pensamento do docente de Artes na
avaliação dos alunos da 5ª série do Ensino
Fundamental.


IAE - Quais são os principais conceitos, observados em
sua pesquisa de mestrado, que os professores têm sobre
avaliação em Arte? Como o professor pode trabalhar para
melhorar a percepção do aprendizado do aluno?


S: O conceito de avaliação utilizado pelos professores
tem uma amplitude variável de significados possíveis
e os termos mais utilizados pelos docentes para definir
“avaliar” são: valorizar, compreender, estimular
para crescer. A maioria deles indica como critérios
principais de avaliação nas Artes Plásticas os aspectos
que dependem da própria atuação do aluno. De
acordo com as declarações mais citadas, os professores
indicam como aprende o aluno em Artes Plásticas:
“depende da experiência do aluno” (50%), “não explica
bem como aprende o aluno em Artes Plásticas”
(60%) e “não sabe bem” (10%). A maioria ainda
pensa que a mente do aluno permanece uma caixa
negra, ou seja, o que se passa não é direta e totalmente
observável. Para uma melhoria da percepção
do aprendizado do aluno, o conhecimento das etapas
do desenvolvimento artístico de cada aluno pelo professor
pode não somente facilitar esse processo criativo
do aluno, como também melhorar a compreensão
do processo ao professor. Assim, este professor deverá
usar critérios de avaliação que tenham a ver com o
desenvolvimento de cada aluno, com o processo evolutivo
da linguagem artística de cada um e deve estar
em sintonia com o seu planejamento. Deve-se levar
em conta no processo de avaliação aspectos cognitivos,
afetivos, que envolvam relações sociais, de cooperação,
de participação, de poder de argumentação,
crítica e criação.


B: A pesquisa de Suzana destaca aspectos que, empiricamente,
se pode constatar, como a falta de fundamentação
para a realização da avaliação em geral,
aspecto que se ressalta em Arte. Tal fato evidencia-se
desde o uso de termos ambíguos e até mesmo equivocados
para definir avaliação em Arte. O que significa
efetivamente avaliar? Para que serve a avaliação?
O que fazer com a avaliação? É o mero cumprimento
de uma exigência burocrática? É um instrumento classificatório?
Vale apenas para os alunos? Ou possui
uma função de reorientação da própria prática docente?
Estas são perguntas freqüentemente não respondidas,
ou sequer formuladas, na prática!
Destaco a fala de Suzana apontando que a avaliação
em Arte deve estar em sintonia com o planejamento
do professor. Isto significa que, para avaliar, o professor
precisa saber o que quer que seu aluno aprenda,
o que efetivamente planejou ensinar. A aproximação
dos professores da teoria pedagógica seria, efetivamente,
um caminho para melhorar a percepção do
aprendizado do aluno, qualificando o ensino da Arte
nas escolas ao re-pensar, re-conhecer e re-elaborar o
próprio trabalho docente.


IAE - Na pesquisa, quando perguntados "Como
aprende o aluno em Artes Plásticas?", alguns professores
responderam: “Nem mau aluno nem bom
aluno, não é isso. É uma questão de criatividade, não
sei explicar bem porque um aluno faz algo melhor
que outro, penso que é uma questão da mente de
cada um”. Como a senhora analisa esta questão?


S: A maioria dos professores indica como critérios de
êxito em Artes Plásticas: o aluno participativo, interessado
(60%) e se o trabalho do aluno está dentro da
proposta e vai mais além do que o professor pediu
(50%). A maioria dos professores indica que NÃO existe
o fracasso (70%) e a minoria que SIM (30%). Os critérios
mais citados são: que o aluno faça o trabalho por
fazer, que o aluno não faça nada e não produza e que
seu fracasso seja o fracasso do professor. Apesar destes
dados acima, surgem outros onde a maioria dos
professores (80%) diz que SIM, existe o mau aluno e a
minoria (20%) que NÃO existe o mau aluno. Os professores
consideram como mau aluno: o aluno preguiçoso
e que não quer nada (40%); como bom aluno: o que
trabalha (40%), quem sempre tenta, não desanima, tem
boa vontade e é interessado (30%). Ser capaz em Artes
Plásticas significa dentre os critérios mais citados: o
aluno que percebe mais, que se expressa no trabalho,
que tem habilidades, que executa as tarefas e o aluno
que tem novas formas de criar/criatividade (20%). Desta
forma pretende-se chamar a atenção do professor para
o fato de que os estudantes podem funcionar criativamente
de modos diferentes e que o professor deve
reconhecer “diferentes criatividades” quando estas aparecem
e fazer suas considerações avaliativas deste processo.


B: As respostas dadas pelos professores nesta pesquisa
indicam a fragilidade da sua formação pedagógica.
Como afirma a própria Suzana no trabalho em questão,
e acredito que este seja o caso nas respostas dadas,
constata-se que a existência da teoria nem sempre é
percebida pelos professores e adquire muitas vezes
uma presença silenciosa. Esta ausência ilustra bem
tanto a afirmação de Richard Cary, no primeiro capítulo
de seu livro Critical Art Pedagogy- Foundations for postmodern
Art Education (1998), ao dizer que os arte-educadores
são avessos à teoria e este distanciamento
contribui para o afastamento destes professores dos
postos importantes nas escolas e nos sistemas de ensino,
quanto a de Paulo Freire na sua conhecida fala de
que toda a prática pedagógica está assentada num fundamento
teórico, num conjunto de concepções, ainda
que o professor possa desconhecer quais são estas
concepções! A convicção de que o aprendizado em Arte
também ocorre pela interação do sujeito aprendente
com o objeto de conhecimento não é nova nem pouco
difundida. O objeto, neste caso, é um fenômeno pertencente
ao mundo da Arte: uma linguagem artística,
um processo de criação, de apreciação e compreensão
de produções próprias e de outros sujeitos em diferentes
tempos e culturas.


IAE - A pesquisa indica que a maior parte dos professores
de Arte compara o trabalho do aluno com critérios
estéticos, sendo que a maioria não o compara com critérios
estéticos de “boa ou má arte”. O que é boa e má
Arte?


S: Os resultados trazem evidências de que a maioria
dos professores de Artes Plásticas (60%) SIM, compara
o trabalho do aluno com critérios estéticos e que a
minoria (40%) NÃO compara o trabalho com critérios
estéticos, sendo que a maioria (80%) NÃO o compara
com critérios estéticos de “boa ou má arte”.
Considerando-se que a experiência educativa em Arte
tem uma carga altamente subjetiva, deve-se buscar
maior compreensão sobre estas questões através de
certos marcos teóricos importantes, tais como Duarte Jr
(1995), que esclarece que no processo de avaliação não
deva haver uma comparação dos trabalhos dos alunos
com supostos parâmetros estéticos, no sentido de
“boa” ou “má” Arte. Para a criança a Arte não tem um
valor estético. Seu trabalho busca a comunicação (consigo
mesma) e a organização de seu mundo. Porém não
significa afirmar que os padrões estéticos dos adultos
(“a beleza é algo que se modifica através da cultura”)
não tenham sentido para as crianças, não quer dizer
que seja irrelevante auxiliá-las a desenvolver uma “consciência
estética”, que significa uma capacidade de eleição
e de crítica para selecionar e recrear valores e sentidos,
segundo situação existencial do aluno.


B: Parece que o critério estético que 60% dos professores
afirma utilizar para comparar o trabalho dos alunos
é aquele que eles próprios possuem, possivelmente
constituídos pelo senso-comum, portanto sem reflexão
ou fundamento, além da sua própria experiência! Afirma
Brent Wilson em seu paradigmático texto “Mudando
conceitos da criação artística: 500 anos de arte-educação
para crianças”, que “embora a arte-educação seja
apenas uma pequena parte do mundo da Arte e, aos
olhos de muitos, uma parte insignificante, ela é, apesar
disso, formada e modelada pelo mundo da Arte e reflete
as suas crenças”. Portanto, o fato de 80% dos professores
questionados NÃO comparar o trabalho de seus alunos
com critérios estéticos de “boa ou má arte” fortalece
a constatação de que depois da ruptura com os
cânones, o modelo, as prescrições, tornou-se efetivamente
complexo estabelecer o que é boa ou má Arte e,
até mesmo, o que é Arte! Considerar boa ou má Arte
depende da concepção de Arte que temos e que, na
situação escolar, nem sempre, ou raras vezes, coincide
com a do nosso aluno. Estamos absolutamente afetos
ao Sistema das Artes, ao funcionamento do mercado da
Arte. Assim, ela é boa, quando “funciona” como arte,
acionando a sensibilidade e a evocação no sujeito apreciador.
Para os nossos alunos “funcionam como Arte”
diferentes produções, linguagens, suportes e diferentes
instituições do mundo da Arte. Portanto o reconhecimento
da pluralidade de critérios estéticos é uma condição
para a avaliar e para ser um bom professor de Arte!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Velhos crayons, novos desenhos !




Achei esta idéia tão legal que quis postar. O Danny Seo do Daily Danny, está sempre à procura de invenções "eco-legais" e fez esta experiência.


Ele pegou um monte de lápis crayon usados e quebrados, tirou o "rótulo", colocou em uma velha fôrma de pão e levou ao forno por 10 minutos.


Eles viraram a massa derretida da foto 1.
Depois de esperar que ela esfriasse um pouco, mas ainda quente, ele cortou com forminhas metálicas, neste caso em formato de borboletas (foto 2).
O resultado são belos crayons de cores misturadas, que tanto podem ser usados para a criançada desenhar, quanto para enfeitar. A típica coisa legal para se testar em casa.
Agora, mãos à obra !

sexta-feira, 17 de abril de 2009




Janaína Meira Russeff
Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda

Em fevereiro de 2005, após um ano de aulas teatrais, os alunos das sextas séries do ensino fundamental iniciaram a oficina CurtAção. Esta foi criada com o intuito de apresentar a mídia cinematográfica aos alunos da rede municipal de ensino, e provar que a máxima “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” era realmente viável.


Esta iniciativa ocorreu a partir da constatação de que a linguagem teatral estava um tanto distante daquele grupo de alunos que nunca havia assistido à uma peça de teatro. Os alunos pouco se interessavam em participar das aulas de artes cênicas, pois tudo aquilo lhes parecia distante. Com o tempo percebi que a televisão poderia ser um ótimo instrumento educativo, uma vez que se faz tão presente em suas vidas. Seria através deste instrumento midiático que eu suscitaria nos alunos o interesse pela arte, pela escrita e pela pesquisa.

O projeto CurtAção teve como objetivo apresentar a estética cinematográfica aos alunos, e ensiná-los no passo a passo da criação de um curta-metragem promovendo o encontro da escola com esta tecnologia que parecia tão distante e inacessível.

Desta maneira, os alunos puderam desenvolver outros níveis de compreensão e sensibilidade, além de transformarem uma obra que lhe era exterior em algo seu, fruto de sua criação.

Essa nova atitude intelectiva/perceptiva estimula não só o desenvolvimento de habilidades artísticas, mas principalmente a auto-estima do aluno que se sente capaz de produzir suas próprias idéias.

O processo

Durante os dois primeiros meses, a turma entrou em contato com os curtas-metragens produzidos pelos alunos da escola de Cinema Estácio de Sá e as palestras de jovens diretores desta mesma nstituição. Tais meses foram destinados para que se apropriassem desta nova linguagem estética a serexplorada. Quando começaram a entender o projeto o entusiasmo foi geral, pois a idéia de se produzir um filme os fascinou.

Num segundo momento, entramos na fase da escolha do tema. Por meio de discussões em sala de aula, chegamos à conclusão de que este seria: “O adolescente e as drogas”. Por se tratar de uma comunidade marcada por grandes dificuldades econômicas e exposta a toda sorte de violência é quase impossível fugir desta temática. Assim, promovi diversos debates entre alunos, professores e pais, acompanhadas de dinâmicas de grupo com oobjetivo de enriquecer o tema escolhido, já um tanto desgastado pelos intensos debates na própria comunidade a que pertencem os participantes do projeto.

Com a temática escolhida e devidamente embasada teórica e politicamente, partimos para a produção de roteiros. Os alunos divididos em duplas passaram quatro meses sob minha orientação, escrevendo e reescrevendo exaustivamente seus roteiros. O trabalho autoral foi particularmente penoso para eles, uma vez que não têm o hábito da leitura e da escrita. Mas, ao mesmo tempo, é possível afirmar que foi muito produtivo também, pois, enquanto expunha seu projeto de criação ao colega de dupla, negociando idéias e expondo dúvidas, cada aluno exerceu a sua possibilidade de argumentação e de trabalho, ao mesmo tempo em que aprendeu a elaborar projetos e a receber críticas.

Após a conclusão dos enredos, foram feitas leituras dramatizadas para que pudéssemos escolher um único roteiro a ser filmado. Por unanimidade “Um mal caminho a seguir” foi o eleito. Iniciamos então, a fase de produção. A turma foi dividida em grupos de trabalho responsáveis pelas seguintes funções: interpretação, figurino, adereço, locação, trilha sonora e continuidade. Minha função foi a de orientar os grupos e direcionar as tarefas a serem desenvolvidas.

No mês de outubro iniciamos nossas filmagens. Cada um dos alunos, com suas funções já estabelecidas trabalhou para que tudo ocorresse conforme o planejado. Depois que encerramos a filmagem e a edição do curta, promovemos uma exibição à toda comunidade. A par da boa receptividade, percebemos reações muito interessantes: pais, alunos, professores e comunidade se demonstraramentusiasmados com a boa nova. Além da exibição do filme, a sensação foi o making off com depoimentos e erros de gravação dos alunos que participaram do projeto. Alunos de outras turmas vinham até mim exigindo que no próximo ano eles também pudessem participar do projeto. Houve um momento em que me vi cercada por pais extremamente emocionados debatendo sobre a mensagem que o filme trazia. Especulava-se até uma exibição do curta na associação de moradores com um debate posterior sobre o uso das drogas. A exibição na escola foi de suma importância, pois os alunos e todos que os assistiram puderam ver concretizado o trabalho desenvolvido ao longo de um ano. Além, é claro, de promover um lugar de reflexão sobre a obra de arte ali exposta, propiciando, desta maneira, um espaço democrático onde cada um pode colocar seu ponto de vista e trocar com o outro.

Bibliografia

Barbosa, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. Editora Perspectiva_____________________(Org) Inquientações e mudanças no ensinoda Arte. Editora Cortez

BOAL,Augusto. 200 exercícios e jogos para o ator e não ator com vontade de dizer algo através do teatro, técnicas latinas americanas de teatro popular. Ed. Civilização Brasileira

KOUDELA, Ingrid Dormien – Jogos Teatrais – Editora Perspectiva ______________________Texto e Jogo - Editora Perspectiva

Lévy, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na Era da informática. Editora 34

SPOLIN, Viola – Improvisações para o teatro – Editora Perspectiva_____________Jogos Teatrais – O fichário de Viola Spolin – Editora Perspectiva

PLANTÃO DO X PRÊMIO ARTE NA ESCOLA CIDADÃ


PLANTÃO DE ATENDIMENTO

No próximo fim de semana, dias 18 e 19 de abril, professores que queiram concorrer à 10ª edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã terão à sua disposição um plantão de atendimento para o esclarecimento de dúvidas. Basta ligar, das 10h às 17h, para: (11) 3103-8062.As orientações também podem ser solicitadas a qualquer momento via e-mail: premio@artenaescola.org.br.

Atenção!
O prazo para inscrições termina no dia 27 de abril e não será prorrogado.
Participe!
A Arte que você ensina merece reconhecimento !
http://artenaescola.v6mail.com.br/cgi-bin/contamail.pl?acao=click&link=1&env_cod=1177&ema_cod=wlgalante@uol.com.br&redir=http%3A%2F%2Fwww.artenaescola.org.br%2Fpremio

terça-feira, 14 de abril de 2009


Pinacoteca oferece curso para professores


De 18/04/2009 a 12/12/2009

São Paulo, SP


Com a idéia de ampliar o relacionamento entre o ensino formal e não-formal, o Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca do Estado desenvoveu o projeto De Cá... Pra Lá! Diálogos em educação-Escola e Museu.

Trata-se de uma série de encontros que pretendem explorar o potencial educativo da Arte em diferentes contextos: em sala de aula; no contato com obras originais; por meio de abordagens históricas e em projetos de interligação entre a escola e instituições culturais.

Os encontros acontecerão aos sábados, de abril a dezembro.

Os interessados devem fazer suas inscrições por telefone.Local: Pinacoteca do Estado de São PauloEndereço: Praça da Luz, 2Telefone: (11) 3324-0943 / 3324-0944 (com Valdir ou Hebe)Clique aqui para saber mais.

quarta-feira, 8 de abril de 2009


"Musicando imagens"


Objetivo:Musicar a imagem dos quadros selecionados, associando sons às cores apresentadas nele.



Introdução:"O vermelho vivo atrai e irrita o olhar, como chama que o homem contempla irresistivelmente.O amarelo limão berrante, depois de um certo tempo, fere o olho, como o som agudo de um clarim perfura os tímpanos.O olho pisca, não consegue suportar e vai mergulhar nas calmas profundezas do azul ou verde do mar."
Wassily Kandinsky (pioneiro da pintura abstrata)



Através da pintura o homem transformou os elementos da natureza em formas e cores e através da música desenvolveu a arte de combinar os sons e o silêncio.
Sendo assim, na atividade "Musicando imagens", os alunos deverão, em grupos de aproximadamente cinco colegas em cada, escolherem juntos a obra que será por eles musicada.


Material a ser utilizado:
· quadros
· instrumentos musicais



Descrição da atividade:


Após cada grupo selecionar o seu quadro, deverão associar sons às cores apresentadas nele. Para tal, poderão improvisar instrumentos que produzam esses sons, como latinhas de refrigerantes com arroz dentro, canudos de papel higiênico com pauzinho de churrasco e outros, ou então poderão aproveitar os próprios instrumentos da bandinha rítmica da escola.Dê como sugestão aos alunos que eles relacionem os sons agudos e graves produzidos pelos instrumentos apresentados com as cores identificadas nas obras (quadros) escolhidas. Peça que ensaiem por um tempo pré-determinado e depois que se apresentem grupo a grupo.



SUGESTÃO :
Numa apresentação final, poderiam dispor os quadros lado a lado, em um semicírculo, numa ordem escolhida por todos. Os alunos formariam uma orquestra, onde todos estariam sentados juntos, mas de forma organizada, em seus grupos.Ao seu comando e seguindo a ordem dos quadros começariam a tocar, produzindo, com certeza, uma bela composição.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A magia das cores


A magia das cores

Objetivo:Trabalhar a emoção que as cores representam


Introdução:

"... procuro com o vermelho e verde exprimir as mais terríveis paixões humanas."(Van Gogh, trecho da carta a Theo, apud Cavalcanti: 1975)


Material a ser utilizado:
· papel para desenho (A4 ou A3)
· guache, pincéis ou giz de cera


Desenvolvimento da atividade:


Visitando o Museu de Vincent Van Gogh( virtual) e pesquisando um pouco mais sobre sua vida e obra, torna-se possível identificarmos as características do artista e como elas se apresentam em suas telas. Explorando os sentimentos do artista através da manipulação das cores, notamos que a princípio apaixonou-se pelas tonalidades sombrias e por fim descobriu-se em um mundo subjetivamente colorido.
Sendo assim, na atividade "A magia das cores", numa primeira etapa, os alunos observando obras de artistas favoritos deverão associar as palavras que exprimem sentimentos e sensações, tais como tristeza, alegria, paixão, sofrimento, dúvida, medo, tranqüilidade, etc, às cores utilizadas nessas pinturas, tentando interpretá-las, identificando assim as características principais de cada artista.


Já na segunda etapa, o professor proporá a seus alunos que se dividam em grupos e que cada grupo escolha uma pintura. Em seguida, o professor poderá induzi-los a observar e analisar as obras quanto ao traçado (textura, linhas), cores (cores sombrias, cores quentes, cores frias), desenho (anatômico, figurativo), volume (perspectiva) e expressão (deformação). Após essa reflexão, a fim de causar uma interferência nas obras analisadas, os alunos farão uma composição em que empregarão os mesmos elementos expressivos que o artista utilizou nessa fase, mas alterarão seu significado ao modificar as cores utilizadas pelo artista, fazendo assim uma releitura dessas obras a partir dos sentimentos e emoções empregados por cada um dos alunos que participaram dessa interferência.


Ao término da atividade a turma poderá organizar uma sensacional exposição!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Gravurando - contando histórias através de gravura


GRAVURANDO – contando histórias através da Gravura


Autora: JANAINA CZOLPINSKIP

Projeto desenvolvido em 2007 – período de março à novembro
Duas oficinas por semana


A idéia de desenvolver um projeto de Gravura, contando a história de determinada comunidade, surgiu para suprir a falta de informações a respeito da identidade de alguns bairros da periferia de Porto Alegre e de sua gente.

O projeto trata da inclusão de grupos de pessoas, em um contexto artístico-cultural da cidade, onde essas mesmas pessoas dificilmente teriam acesso. As oficinas foram planejadas para uma abrangência de faixa etária indeterminada, pois se tratava de oficinas abertas ao público da comunidade.

O planejamento das oficinas é de minha autoria, não havendo participação de outros professores. Esta atividade faz parte do projeto: "Descentralização da Cultura", da prefeitura de Porto Alegre, onde participei de um edital, com outros 400 projetos, e fui selecionada. A duração do projeto foi de 08 (oito) meses, iniciando-se em abril e com término em novembro de 2007, com duas oficinas por semana. Foram 20 (vinte) o número de alunos envolvidos, alguns iniciaram, e no decorrer das oficinas, desistiram, outros ficaram até o final.

O objetivo maior da oficina era contar a história dos moradores do bairro, em forma de xilogravura, para depois com suas impressões, criar um fanzine/cordel e fazer a distribuição do mesmo para outras comunidades. O que ocorreu no final das oficinas, em um evento patrocinado pela prefeitura, onde vieram outras comunidades para o encerramento do ano.

O objetivo do projeto de registrar a identidade de um grupo de pessoas, suas experiências e vivências, criando uma memória particular pessoal, tornando-os inseridos em um determinado contexto, justifica-se também pelo fato de criar uma interdisciplinaridade, onde eram tratadas questões geográficas, históricas, sociológicas e etnográficas deste grupo.

O desenvolvimento das atividades ocorreu de forma gradativa, pois muitos nunca haviam ouvido falar de Gravura, xilogravura, e seus vários suportes e técnicas. Para as primeiras oficinas, utilizei-me da maneira mais lúdica de fazer gravura, com matrizes de isopor e tinta guache, criando monotipias, e fazendo entender a questão do inverso na gravura. Ao mesmo tempo que contextualizava a importância da gravura na história da humanidade, as primeiras impressões feitas pelo homem das cavernas, a necessidade do homem em criar suas marcas, os primeiros artistas que se utilizaram da xilogravura para imprimir livros, até os dias atuais com o off-set.

Para a organização da oficina, pedi aos oficinandos, que trouxessem de suas casas, bandejas de isopor que são vendidas como base de embutidos em supermercado, onde fui atendida, pois também tratamos de questões de reciclagem de materiais (onde jogar fora o isopor?). Ao passar para a matriz de madeira, e às goivas, já havia uma certa intenção de criar suas próprias produções, sempre com a preocupação de criar imagens que correspondiam às suas histórias de vida, dentro do bairro.

Para cada nova aula , criávamos um mini-seminário, onde todos falavam de suas experiências, o que sentiam, quais as dificuldades, como melhorar, e fazíamos uma amostragem do que estava sendo feito, em termos de impressões. As propostas que mais agradaram à todos, foram as visitas às instituições culturais, onde puderam ver de perto, com lupas, as gravuras de Goya, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a exposição de gravuras de Vera Chaves Barcellos, no Santander Cultural, e gravuras de Leon Ferrari, na 6ª Bienal do Mercosul. Para cada visita, conversávamos após, a respeito do que tinham visto, e aos poucos iam entendendo um pouco mais de gravura feita por grandes artistas, e onde poderiam aperfeiçoar suas próprias impressões.

No decorrer do projeto, pude notar que muitos foram adquirindo gosto pela Arte, e pediam-me livros e textos relacionados à nossas oficinas, no que os supria, com uma pequena biblioteca particular, pois sou artista gravadora também. Os objetivos traçados inicialmente foram atingidos com excelência, não havendo uma forma de avaliação, até porque se tratava de um público espontâneo. Construímos o fanzine/cordel, fizemos uma tiragem de 100 cópias, e mais 200 cópias xerográficas, para a distribuição no dia do encerramento das oficinas.

Esta é uma oficina que pretendo repetir, por ser de fácil assimilação, trazendo questões do cotidiano das pessoas para o universo da Arte, aproximando-os de um contexto sócio-cultural, por vezes inacessível, de forma inclusiva.

Referências bibliográficas:



ARCHER, Michael – Arte Contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 1998.BAUMAN, Zygmunt – Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

CAMARGO, Iberê – A Gravura. Porto Alegre: Sagra, 1992.

DANTO, Arthur C. – Após o Fim da Arte.São Paulo: EDUSP, 2006.FRY, Roger – Visão e Forma.São Paulo: Cosac & Naif, 2002.

MARTINS, Mirian Celeste – Projetos em Ação no Ensino de Arte – São Paulo:Espaço Pedagógico: Série Seminários, 1997.

Curso Abordagens de Ensino nas Artes Visuais


Curso Abordagens de Ensino nas Artes Visuais

- com Mirian Celeste Martins

De 28/04/2009 a 29/04/2009Montenegro, RS

O foco do curso será o olhar rizomático sobre os territórios da arte, olhar que problematiza o que já se sabe, para encontrar caminhos outros que convoquem os alunos a viver experiências em arte, que viabilizem os ideais que sempre alimentaram todos os professores de arte. Como conectar o que queremos ensinar com as ressonâncias da arte na vida de nossos aprendizes, e com os seus repertórios pessoais? Em que sentido podemos provocar poéticas e fazê-los perceber seus próprios processos de criação? Em que sentido a arte contemporânea pode nos ajudar como professores-propositores? Como a DVDteca Arte na Escola pode contribuir?

A Profª Mirian Celeste possui Mestrado em Artes pela ECA/USP e Doutorado em Educação pela USP. Atualmente é docente na Universidade Mackenzie/SP e sócia-diretora do Rizoma Cultural. É co-responsável pela Proposta Curricular de Arte da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e co-coordenadora da DVDteca do Instituto Arte na Escola/Fundação Iochpe. Atua nos seguintes temas: mediação cultural, arte, ensino de arte, currículo, educação e formação de educadores.

Conteúdos do curso:
Os territórios da arte e suas potencialidades na sala de aula.
Planejamentos e projetos: entrelaçamentos para convocar experiências estéticas.
Intervenções na sala de aula: o encontro com a arte, a ação pedagógica, a troca entre iguais.
Instrumentos metodológicos do professor-propositor
O espaço da arte e da cultura para os aprendizes e para nós mesmos

INSCRIÇÕES: na Secretaria da FUNDARTE ou e-mail.Depósito na conta Banco do Brasil, Ag. 0318-2 Conta Corrente nº 22727-7 em nome de Associação Amigos da Fundarte até dia 22/04/2009
- vagas limitadasCUSTO: R$40,00 (30,00 p/a participante do Arte na Escola)
PROMOÇÃO: AAF FUNDARTE APOIO: Instituto Arte na Escola/Fundação Iochpe-SP
Horário: 18h30min às 21h30min 8h30min às 12h
E-mail: fundarte@fundarte.rs.gov.br

terça-feira, 31 de março de 2009

Arte Fractal



Arte Fractal


'Arte fractal é a criada utilizando-se funções matemáticas chamadas fractais e transformando os resultados dos cálculos em imagens, animações, música ou outro tipo de mídia. Imagens fractais são os gráficos resultante dos cálculos, e animações são seqüências desses gráficos. Música fractal transforma os resultados do cálculo em sons. Geralmente, mas não exclusivamente, utilizam-se computadores para processá-los, devido à complexidade da matemática envolvida.
Classificação
Existem quatro categorias relevantes de arte fractal, divisão baseada no tipo de matemática envolvida no processo, onde o nome normalmente aparece associado ao do
matemático que a desenvolveu:


Aquela onde cada ponto do gráfico pode ser determinado pela aplicação interativa de uma função simples (Exemplos são o conjunto de Mandelbrot, o fractal de Lyapunov e o fractal do navio queimando);
Aquela onde existe uma regra de substituição geométrica (Exemplos incluem a poeira de
Cantor, o triângulo de Sierpinski, a esponja de Menger e o floco de neve de Koch);
Aquela criada com sistemas fractais interativos (Exemplo, as chamas fractais);
Aquela gerada por processos com razão aleatória, em vez de processos deterministas (Como as paisagens fractais)
Fractais dos quatro tipos tem sido utilizados como base de arte e animação
digital. Começando com detalhes bidimensionais, os fractais encontram aplicações artísticas variadas, como gerar texturas, simulação de vegetação e confecção de paisagens. Podem então evoluir para representações tridimensionais complexas. Na música, sons baseados em fractais são surpreendentemente realistas e parecem mais capazes de produzir sons parecidos com os naturais que outros processos artificiais.
Paleta de curvas
Sendo um tipo de arte que usa basicamente o computador como suporte primário, não e de admirar que a
Internet seja o maior repositório deste tipo de arte. São particularmente interessantes também as relações entre fractais e a chamada seqüência de Fibonacci e a proporção áurea (Φ), tão cara aos artistas da Antiguidade clássica e do Renascimento. Com fractais aplicados ao conhecimento do funcionamento do universo, calculados com potentes computadores, podemos não só simular o nascimento de mundos e o crescimento celular do DNA, mas pode o artista usar sua sensibilidade para selecionar nessa nova paleta eletrônica, as imagens ou sons que deseja para representar sua arte.

Estimule sua criatividade



Estimule sua criatividade!


Descrição da atividade:
A partir de músicas conhecidas, de qualquer ritmo, e de um tema escolhido, que será preferencialmente sobre um acontecimento atual (leitura em jornais e revistas editados na semana), crie letras novas para essas músicas com um certo toque de humor, ou seja, crie modinhas satirizando os acontecimentos, ou pessoas/personagens do momento.
Tente fazer com que a improvisação e a irreverência predominem, mas que as modinhas não caiam no "vulgar" ou no simples uso dos variados e conhecidos palavrões.
Habilidades /atitudes trabalhadas:
- criatividade
- ritmo
- leitura
- produção de textos
Não esqueça de nos contar o que achou da atividade. Sua opinião é muito importante !

sexta-feira, 27 de março de 2009

Uma experiência de produção criativa



Uma experiência de produção criativa


Qual é a sua proposta?

Refletindo sobre a sua própria experiência com o desenho livre em suas aulas de arte na escola, a artista plástica e arte-educadora Ana Ruas ressalta em seu relato a importância do educar ser propositor para um real aprendizado em Artes. Ela trabalhou com alunos de 5ª e 6ª série do Ensino Fundamental em um projeto interdisciplinar na escola O Metropolitano - Instituto de Educação e Cultura, de Campo Grande (MS), em comemoração ao centenário da cidade. Utilizando o fato de muitos deles serem descendentes de imigrantes ela os envolveu de forma dinâmica num processo de pesquisa, observação do uso da cor e da arquitetura urbana, registro fotográfico e debate que culminaram na pintura das fachadas das casas da Avenida Calógeras, ponto histórico da cidade, dando um novo sentido à história e identidade local.


Uma experiência de produção criativa

Ana Ruas

Um projeto comemorativo ao centenário de Campo Grande (MS) despertou nos alunos de uma escola um grande interesse pelo estudo da cidade, da cor e de estilos arquitetônicos.

Lembro-me com certa angústia das aulas de artes que tive nas primeiras séries do ensino fundamental, na Escola Estadual Abelardo José Nácul no vilarejo de São João da Urtiga (RS). Eu não conseguia entender o significado do termo desenho livre. No entanto, a cada aula de artes, tinha a esperança de conseguir interpretar aquele termo - livre -, que era combinado com a palavra desenho. Ter liberdade para fazer um desenho era bom, mas por onde eu deveria começar?


Logo percebi que o fato da professora nos deixar desenhar "livremente" não era camaradagem, tampouco significava confiança total na produção de seus alunos. Hoje, eu imagino que as aulas de artes eram tão desesperadoras para ela quanto para mim. Não só durante aquele ano, mas, também, durante os outros anos que se sucederam.


Acredito que minha professora, na década de 70, não sabia que não se cria de modo aleatório e para materializar uma idéia é necessário um esforço específico. Que a apresentação de propostas para a reflexão e o olhar atento do educador são princípios fundamentais para um real aprendizado sobre fatos, conceitos, procedimentos e atitudes.


Os objetivos das aulas de artes não eram claros, portanto não propiciavam referências e perspectivas necessárias à percepção criativa das coisas do mundo. Aulas mais objetivas e dinâmicas, certamente, teriam me proporcionado a liberdade que eu buscava. O medo não se justificava pela indecisão quanto à temática a ser abordada, mas pela falta de sincronia entre o pensamento pedagógico e a ação educativa.


Por sorte, aos oito anos, naquele vilarejo de 500 habitantes, chegaram para mim tintas de tecido. Depois de receber este material, recebi também riscos de bordado para pintar panos de prato. Em alguns dias, ficou claro que não era apenas o "desenho livre" que sufocava, porque também os moldes prontos representavam uma outra forma de prisão à criatividade. Não entendia porque eu deveria pintar tantos morangos, maçãs e flores.


Naquela época, vendedores ambulantes circulavam pelo vilarejo com reproduções de obras acadêmicas. Eu fiquei encantada com aquelas figuras e questionei minha professora: como era possível pintar daquele jeito? Como representar sombras e luzes e até o reflexo de um menino na água? A mesma cor azul era pintada com diferentes tonalidades. O menino que olhava o lago estava triste. E o pintor? Ele estava feliz quando pintava? Por que o artista pintou um menino solitário olhando seu próprio reflexo na água e eu deveria pintar flores e frutas? Minha professora não soube responder e, para me acalmar, sugeriu que eu também pintasse um menino olhando a água.


Um dia ganhei o livro Quero ser pintor e, por meio dele, comecei a organizar minhas experiências com as cores, temperando-as com tons e nuanças. Lendo o livro eu me sentia uma fazedora de cores, relacionando tons e explorando a superfície do pano ou papel. No livro, um menino que queria ser pintor também não era compreendido pelo professor, nem pelo pai. Depois de algum tempo, ele foi para uma escola de artes e encontrou um professor que sabia encaminha-lo no processo de criação. Ao falar sobre sua experiência, o menino, personagem do livro, dividia com o leitor a descoberta das cores.


Atualmente, ao ensinar arte, eu busco uma linha de trabalho que me distancie dos equívocos de meus professores do ensino fundamental. Tomo como exemplo outros professores que, de maneira positiva, ensinaram-me a ouvir, sentir, pensar, descobrir, exprimir e fazer arte, partindo da observação e do estudo dos elementos da natureza e da cultura. A análise, a reflexão, a transformação consciente e reflexiva me indicaram o caminho da liberdade, pelo qual, um dia, a professora não soube me conduzir.


No capítulo referente a mutações e à prática, no livro Inquietações e mudanças no ensino da arte, (Barbosa, 2002:14) Ana Mae Barbosa cita que, em sua experiência, tem visto que "a chamada livre-expressão e o espontaneísmo apenas não bastam, porque o mundo de hoje e a arte de hoje exigem um leitor informado e um produtor consciente. Não é aceitável hoje confundir improvisação com criatividade". Da mesma forma, Miriam Celeste Martins e colaboradores afirmam: "As referências pessoais, fundadas nas experiências individuais, e as referências culturais, nascidas no convívio com a cultura de seu entorno, direcionam o poetizar, fruir, conhecer arte, levando-nos a fabricar sentidos, significações que atribuímos ao que estamos observando. Quanto mais referências tivermos, maiores e diferentes as possibilidades e perspectivas para análises e interpretações". (Martins e outros, 1998:22)


No ano de 1999, como professora de educação artística na escola particular O Metropolitano - Instituto de Educação e Cultura, de Campo Grande (MS) participei de uma ação que envolveu direção, professores de diferentes áreas de conhecimento, pais e a comunidade. Naquele ano, a cidade comemorava seu centenário e a escola decidiu realizar um projeto relacionado a este tema, já que os meios de comunicação falavam sobre festas, desfiles e comemorações. Desenvolver um projeto unindo dados culturais e históricos de um povo seria proporcionar aos alunos uma participação envolvente e dinâmica, visto que muitos deles eram descendentes de imigrantes.


Durante uma reunião, discutiu-se primeiro a atitude interdisciplinar, concordando com as idéias da educadora Ivani C. A. Fazenda, citada no artigo Interdisciplinaridade, escrito por Ana Amália Barbosa. A atitude indisciplinar é "...uma atitude de reciprocidade que impele ao diálogo - ao diálogo com pares anônimos ou consigo mesmo - atitude de humildade diante da limitação do próprio saber, atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio - desafio perante o novo, desafio em redimensionar o velho. Atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidos, atitudes, pois, de compromisso em construir sempre da melhor forma possível, atitude de responsabilidade mas, sobretudo, de alegria, de revelação, de encontro, enfim de vida. (Barbosa, 2000:106)."
O professor de história desenvolveu, então, uma pesquisa sobre os desbravadores e a chegada dos primeiros imigrantes estrangeiros. Os alunos estabeleceram relações com a cultura e os costumes de diversas partes do mundo, com as pequenas construções, que foram substituídas por edifícios, com o antigo, que deu lugar ao moderno, com a facilidade e evolução dos meios de transportes e de comunicação. A professora de geografia trabalhou com gráficos e com mapas da cidade e de outros países, localizando a distância percorrida pelos imigrantes, as características iniciais da construção das ruas e avenidas e as alterações sofridas. A professora de português coordenou a produção de textos, tendo como suporte as entrevistas realizadas com comerciantes da Avenida Calógeras, com os familiares dos alunos, com contos e poesias.


Com as informações já obtidas por essas áreas de conhecimento, alunos de quinta e sexta série iniciaram uma pesquisa de campo com o enfoque nas aulas de artes. Localizaram os pontos dos primeiros imigrantes, comerciantes estrangeiros: libaneses, árabes, sírios e armênios, que se fixaram na cidade em 1914. A pintura gasta e a poluição visual impediam de apreciar e identificar os traços da arquitetura dos anos 30, das três quadras da Avenida Calógeras, onde foram realizadas nossas entrevistas.


De volta à sala de aula, reunimos as entrevistas e os registros fotográficos das casas e dos entrevistados. Iniciamos um debate referente a uma possível revitalização de um ponto histórico, hoje transformado em uma área empobrecida e esquecida. Também fez parte do trabalho o resgate de fotos de comemorações, carnavais, desfiles cívicos, casamentos etc. Os alunos, em grupos, desenhavam as fachadas, discutiam estilos e projetavam cores, discutiam combinações que historicamente fossem coerentes. Observávamos os intervalos que existiam entre as casas, a simetria das janelas, o desenho das fechaduras, a perspectiva da rua, as sombras projetadas pelas árvores, a textura da calçada e, para cada elemento novo, mais idéias surgiam para novos desenhos.


Não foi difícil convencer os proprietários de que as fachadas ficariam mais interessantes ao receber nova pintura. Mobilizamos, então, os pais, o comércio local e a comunidade para a doação das tintas. Durante um sábado e um domingo, o Corpo de Bombeiros, os guardas de trânsito e os pais responsabilizaram-se pela segurança de 90 adolescentes que, acompanhados por todos os professores e a direção da escola, pintaram as fachadas daquelas pequenas e modestas casas da Avenida Calógeras. O envolvimento com os moradores e comerciantes locais foi total. Eles ofereciam, água, seguravam as escadas e alguns, encorajados pela energia do grupo, ensaiavam pinceladas nas paredes e portas.Este mutirão despertou nos alunos um grande interesse pelo estudo da cidade, da cor e de estilos arquitetônicos. Certamente, não tínhamos a pretensão de revitalizar profissionalmente o local, mas conseguimos chamar a atenção de historiadores e vereadores para a importância de se preservar a história e a identidade local.Assim, este projeto, baseado inicialmente em pesquisas e entrevistas, estimulou e inspirou ações que superaram nossas expectativas, tamanho foi o interesse das pessoas envolvidas. A reflexão, o senso crítico e a contextualização deram novos sentidos à imagens, que, até então, eram conhecidas mas não haviam sido observadas e discutidas. Os alunos, por sua vez, consideraram-se agentes e cidadãos atuantes, contando e fazendo parte da história de uma cidade.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A História da Dança


A História da Dança


Dançar é definido como uma manifestação instintiva do ser humano. Antes de polir a pedra e construir abrigos, os homens já se movimentavam ritmicamente para se aquecer e comunicar.. Considerado a mais antiga das artes, a dança é também a única que dispensa materiais e ferramentas. Ela só depende do corpo e da vitalidade humana para cumprir sua função enquanto instrumento de afirmação dos sentimentos e experiências subjetivas do homem.

Segundo certas correntes da antropologia, as primeiras danças humanas eram individuais e se relacionavam à conquista amorosa. As danças coletivas também aparecem na origem da civilização e sua função associava-se à adoração das forças superiores ou dos espíritos para obter êxito em expedições guerreiras ou de caça ou ainda para solicitar bom tempo e chuva.

O desenvolvimento da sensibilidade artística determinou a configuração da dança como manifestação estética. No antigo Egito, 20 séculos antes da era cristã, já se realizavam as chamadas danças astroteológicas em homenagem ao deus Osíris. O caráter religioso foi comum às danças clássicas dos povos asiáticos.

Na Grécia clássica, a dança era freqüentemente vinculada aos jogos, em especial aos olímpicos. Com o Renascimento, a dança teatral, virtualmente extinta em séculos anteriores, reapareceu com força nos cenários cortesãos e palacianos. Uma das danças cortesãs de execução mais complexa foi o minueto, depois foi a valsa, considerada dança cortesã por excelência, e com ela se iniciou a passagem da dança em grupo ao baile de pares.

A configuração de um gênero de dança circunscrito ao âmbito teatral determinou o estabelecimento de uma disciplina artística que, em primeira instância, ocasionou o desenvolvimento do ballét e, mais tarde, criou um universo dentro do qual se deu desenvolveram gêneros como os executados no music – hall, como o sapateado e o swing. A divulgação da dança se deu também fora do mundo do espetáculo, principalmente nas tradições populares.

Dança, em sentido geral, é a arte de mover o corpo segundo uma certa relação entre tempo e espaço, estabelecida graças a um ritmo e a uma composição coreográfica.